Float

É você que tem
Nas tuas mãos
Meu choro de mulher
Tem meu ver
O meu sonhar, o que quiser
É você que é
O homem meu
Meu grande amor da minha vida
É tão teu
O gosto da minha mordida
É você que tem
O colo qu’eu
Deito e descanso
É tão teu

Meu coração aflito e manso

M. Magalhães 

Se não doesse, eu provavelmente não escreveria. Se não incomodasse, como o calor importuna o corpo nos dias de verão, eu seguiria com frescor. Se desse pra ignorar, se fosse preto e branco. Quem sabe. Se. Mas você pinta as paredes da cidade inteira com cores estridentes. Desenha teu rosto no box do meu banheiro. No espelho. Mantém a imagem dos seus olhos diante dos meus. Eu mantenho, minha mente, sei lá. É um ciclo vicioso maldito. E o mundo vira mero plano de fundo pro seu olhar hipnótico.
E como se não bastasse… cada coitado que aparece na minha vida se torna pavorosamente decepcionante quando comparado a você. Que porra é essa? Eu não consigo mais olhar pros lados, o repertório não muda. Eu quero você. Caramba. Eu quero você e às vezes me pego mergulhada naquela loucura de “te quero e quero te querer”. Eu não quero querer nada. Nada de você. E nada do seu corpo, muito menos dos traços da sua pele. Preciso de distância mental do seu jeito terrivelmente gostável. E amável. Afável. Não ter notícias da sua mão macia, do seu olhar esperto, ou do seu cheiro entorpecedor.
Mas assim que você puder vir, vem. Chega perto de mim. Não fala nada e me deixa ouvir a sua respiração. Quero aquela sensação: seu corpo exalando palavras que ainda não foram formalizadas.

Tudo é questão de despertar a sua alma
Gabriel García Márquez

É verdade que tenho medo que o jornalismo me endureça… rosto, pé, mãos e dedos quadrados devido a uma dose um pouco exagerada de seriedade.
Não sei se o que tá aqui dentro, gritando dizer ser a minha essência, condiz com essa realidade dura, essa pressa.
Finalmente coragem para dizer que não sei, para admitir que chorar um pouco sem pudor me acalmaria, que essa vertigens me enjoam e que eu não sei se tenho estômago para certos tipos de conversa. Certos tipos de ideias… limitações alheias sufocam e eu sempre procurei por tetos abertos, a principal intenção com essa história era justamente abrir, me abrir, me desapegar, não de todos, mas de muitos dos meus pensamentos concluídos. Eu nunca quis concluir nada, a divagação sempre me atraiu mais. 

“É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem saber ver”.

Gabriel García Márquez